Como vedanta funciona?

Para quem ainda não começou seu estudo de vedanta, sem dúvida o primeiro passo é entender o que é vedanta, porém, se já existe um esforço de estudo e assimilação da visão de estudo, o tema: “como vedanta funciona” se torna relevante. Entender o seu método e os fatores que contribuem ao seu funcionamento permitem que tenhamos mais êxito na nossa busca.

Quando estudamos um tema qualquer, o seu título se refere em geral ao conteúdo ou assunto que estamos lidando. Por exemplo, história do Brasil ou matemática avançada, os nomes dizem para gente o que estamos estudando. Em outros casos o título que usamos para se referir a disciplina não dá o conhecimento do resultado ou assunto final obtido, mas dá uma idéia da natureza da sua atividade: poesia, pintura ou artes. Apesar de termos uma idéia da variedade de atividades que se enquadram nessas categorias, o assunto ou obra poética ou até mesmo o tipo de arte precisa ainda ser especificado. Quando o assunto é mais inacessível o título pode nos dar uma idéia do processo utilizado para se obter o resultado esperado, como as palavras: empresários, professor, ajudante. Dessa maneira se faz necessário entender qual tipo de significado devemos obter de cada uma das palavras que se referem a esse estudo de vedanta e assim ter um entendimento melhor sobre seu funcionamento.

Existem muitas palavras que se referem a esse mesmo estudo vamos examinar algumas delas:

Atmajnaanam – ou autoconhecimento: Essa palavra se refere ao assunto a ser estudado, mas não é só isso. Qualquer um pode dizer que tem um certo grau de autoconhecimento e talvez até dizer que existam várias maneiras de obtê-lo, aqui essa palavra tem como objetivo remover essa noção. Quando os Vedas se colocam como um meio de conhecimento isso se faz apenas se houver a clareza de que não existe nenhum outro meio de obtê-lo. Pode soar um discurso fanático, porém é uma realidade se estivermos falando sobre o “sujeito final”, aquele que vê as emoções, os pensamentos, o corpo e os objetos. Os sábios nos apontam que estamos chamando de “eu” objetos de vários tipos sutis e grossos, mas o sujeito é exatamente aquilo que não pode ser visto por nós, o próprio sujeito. Assim autoconhecimento de fato é um assunto no qual não temos nenhum acesso sem um meio de conhecimento externo e esse é o assunto desse estudo.

Vedanta – Apesar de muitos tratarem essa palavra como uma escola filosófica ou até mesmo um conjunto de crenças, o seu significado é simplesmente posicional. Vedanta significa aquilo que está no final dos Vedas, então onde encontro esse conhecimento e onde procurá-lo? No final dos Vedas. E isso nos dá uma pista de que obviamente não é a criação de ninguém e que existe uma tradição por detrás como para todo os Vedas. E a tradição ainda explica que esse termo “final”, não é só devido a posição da maioria dos textos, já que existem textos com o mesmo assunto espalhados pelos Vedas inteiro, mas um conhecimento que está no final de toda uma “história de vidas”. Assim esse termo “vedanta”, nos vincula a tradição de estudo dos Vedas e nos fala da importância desse conhecimento.

Upanishad – Essa palavra se refere a forma como esse conhecimento é obtido, como a palavra “faculdade”, que não se refere ao tema mais o local onde o estudo é realizado, a palavra “upanishad” é usada para se referir a forma como o estudo é realizado. Ele é realizado em “upavasanam”, que literalmente significa morar junto, convivência. Esse é um conhecimento passado de pessoa para pessoa e não obtido através de livros ou até mesmo gravações, todos esses são instrumentos de apoio. O conhecimento é transmitido através de palavras, mas existe muito mais a ser entendido que as palavras não comportam, ou ainda as mesmas palavras precisam de um certo contexto humano para que possam brilhar na sua plenitude. Outro significado para esse termo é aquilo que aniquila a ignorância, já contemplado pelos outros termos nesse texto.

Yoga – Esse conhecimento também é chamado de yoga, apesar dessa palavra possuir muitos significados. Ele é chamado de yoga, não porque o “eu” vá se unir com alguma outra coisa, de verdade, se existe algo que não pode ser unido a nada nesse universo, esse é o “eu”; contudo como indivíduos nossa experiência é de divisão, conflito e alienação e esse indivíduo precisa estar preparado para esse conhecimento. Uma pessoa em conflito com o mundo, que vive de mau-humor ou sobre tensão não conseguirá apreciar de primeira mão a mensagem do ensinamento. Então assim como a palavra “comandos do exército” que se refere a preparação do soldado para desempenhar uma missão, a palavra yoga, que literalmente significa “unido, íntegro” se refere a preparação ou estilo de vida de quem alcança esse conhecimento e isso inclui ásanas também, pois envolve saúde do corpo e mente!

Moksha Esse termo significa literalmente liberdade, ele é usado para se referir a esse conhecimento do ponto de vista do seu resultado. É uma das palavras mais relevantes, pois sem o entendimento do resultado, nenhuma ação é feita com seriedade e convicção. Essa palavra revela para gente que a “liberdade” ou plenitude que tanto buscamos está disponível através desse conhecimento. E como isso seria possível? Porque não nos conhecemos de verdade, estamos identificados com corpo, mente e emoções que são sempre limitadas, não é essa a origem dos nossos problemas? É possível estabelecer algum problema ou conflito que não inclua corpo, mente e emoções? Assim se nós pudermos nos ver como separados e independentes desses três, nós somo a própria liberdade que almejamos.

Existem várias outras palavras que se referem a esse estudo e complementam nosso entendimento do processo, como: nirvana, samadhi, brahma e até mesmo paramam padam (a morada final). Porém se usadas em separado podem nos levar a conclusões erradas. Um exemplo é a palavra iluminação, que foi feita famosa pelo budismo, de fato buddha quer dizer um sábio e não tem nenhuma relação com “iluminado” a não ser o fato que o conhecimento muitas vezes é comparado a luz.
De verdade se os ensinamentos do senhor Buddha e dos outros sábios foram feitos para nós pela lógica não deveriam diferir um dos outros, mas não cabe a nós o julgamento de outras tradições de ensinamentos, apenas o que está sendo dito ou transmitido, como faríamos se esses sábios em pessoa estivessem passando eles para gente.

Assim como vedanta funciona? É um conhecimento, aatmajnanam, autoconhecimento, que fala sobre o “eu”, não disponível por nenhum outro meio, que é exposto em vedanta, no final dos Vedas em um estudo tradicional, esse estudo ocorre em upanishad, com o convívio com o professor e ele é chamado de yoga, pois é necessário estar em harmonia e íntegro para assimilá-lo, e seu resultado é Moksha, a liberdade, a paz e a plenitude.

OM TAT SAT

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