Guru-Purnima 2017

गुकारस्त्वन्धकारोवै रुकारस्तन्निवर्तकः।
अन्धकारनिरोधित्वात् गुरुरित्यभिधीयते॥
gukārastvandhakārovai rukārastannivartakaḥ|
andhakāranirodhitvāt gururityabhidhīyate||

A sílaba “gu” representa de fato a escuridão e a sílaba “ru” representa a sua eliminação. Por remover a escuridão, um professor é chamado de guru.

Neste Guru-pūrṇimā – a lua cheia que todo ano celebra o dia dos professores na tradição védica – é auspicioso que prestemos atenção no significado do tradicional verso supracitado, que nos dá uma definição muito direta do que é ser um professor: um removedor de escuridão.

Como a escuridão pode ser removida? Decerto, por nenhuma outra ação que não seja a de trazer luz. A ignorância, indicada no verso através da metáfora da escuridão, não é algo concreto que possa ser visto, arrancado e removido, como um pano que encobre uma estátua.

A ignorância é algo sutil; é um não-saber que, entretanto, não é uma mera ausência, um não-ser, pois ausências nada produzem. E ignorância produz confusão. Produz, em última análise, o ciclo de nascimentos e mortes de um indivíduo.

E aqui já não estamos mais falando de qualquer ignorância, mas da ignorância fundamental, aquela que encobre a natureza do sujeito que tudo conhece.

Para remover esse tipo de ignorância, em especial, a presença de um guru se torna ainda mais necessária. Porque, para remover ignorância sobre qualquer outro assunto, ainda que um professor seja útil, ele não é indispensável. Basta que apliquemos nosso intelecto, devidamente ajudado por todas as informações que pudermos obter em livros, publicações especializadas, etc., para que nós mesmos nos ensinemos, eliminando a ignorância que encobre aquele assunto. Podemos ser autodidatas.

Mas como ser autodidata quando o pesquisador do assunto é, ele mesmo, a própria “coisa” que se ignora, o próprio “assunto” que se quer conhecer? Por onde começar? Como acertar quando o ponto de partida é o próprio erro?

Não existem livros sobre você, nem publicações especializadas com informações sobre a sua natureza, pois você – você mesmo – não é uma informação, um assunto a ser entendido do mundo, mas justamente aquilo que está subentendido em todo entendimento de mundo que se possa ter.

Esse subentendido (o sujeito ou, em latim, “sub-jectum – aquilo que jaz por baixo”) não pode ser objetificado. Não pode, a rigor, nem mesmo ser estudado! É algo muito sutil, talvez até mesmo paradoxal. É algo que só pode ser comunicado na sutileza da comunicação entre duas pessoas (mestre e discípulo), onde o significado literal e limitante das palavras pode ser deixado para trás na apreciação de um significado que fica para além delas. Esse significado é você, em toda a sua resplandecência!

Saudações aos Mestres! Que eles nos abençoem com o autoconhecimento.

ओं श्री गुरुभ्यो नमः
oṃ śrī gurubhyo namaḥ

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