Lei do Karma e o Por que eu!?!


Quem nunca teve esse tipo de questionamento? Lembro de quando os meus pais estavam se separando. Hoje entendo que foi uma decisão acertada, mas naquele momento apesar das dificuldades que o relacionamento familiar trazia era como se meu senso de segurança material e afetiva desmoronasse.

Por que eu? Por que estava passando por isso?

Muitas pessoas quando se deparam em momentos equivalentes ou mais difíceis e tentam responder essa “pergunta sem resposta” simplesmente acabam apenas trazendo aspectos positivos para tudo.

De verdade isso é uma boa coisa a fazer, afinal no meu caso, por exemplo, sou muito grato por toda educação, carinho e oportunidades que meus pais me deram, mas sabe a dor que sentimos não diminui por causa de pontos positivos, só nos ajuda em não condenar totalmente as pessoas e as situações. Permite-nos aceitar melhor.

Momentos

Como em geral a vida traz uma mistura de bons e maus momentos, essa opção de olhar o copo meio vazio como meio cheio pode ser aplicada, mas isso não é solucionar o problema, apenas desenvolver um humor barato sobre nossos próprios dilemas. Digo barato pois não custa nada e também por ser um humor impostor, já que a dor permanece lá.

O mundo está muito longe de ser algo justo e equânime e os critérios de igualdade são ainda mais ridículos. Vejamos por exemplo os homens e mulheres, dois seres diferentes. Mentes se comportam de forma diferente, comportamentos diferentes, e desejos diferentes. Como podemos imaginar que a igualdade seja simplesmente agir da mesma forma? Claro que os valores básicos são os mesmo como respeito, direito ao trabalho, carinho e atenção, mas a forma como ambos os sexos interpretam cada um desses itens é completamente diferente.

Parece até uma ironia, mas a proposta socialmente disseminada pelos seriados de TV é que a mulher deve ser livre independente e não ser “mole emocionalmente”, onde força significa ser dona do próprio nariz e não “ser” emocional. “Uma mulher emocional é uma mulher fraca”. Já os homens devem ser sensíveis, servis, mas firmes e fortes. E firmeza significa não entrar em contato com as próprias emoções e expô-las, afinal de contas “homem não chora”.

Bom se a mulher emocional é fraca e o homem que é forte não chora, fico imaginando para quem sobra as emoções. Será que elas seriam um defeito da criação de acordo com sociedade contemporânea?

Nós estamos cercados de estratégias e maneiras de lidar com descontrole da vida e a verdade que se livrar das nossas emoções é só mais uma delas. Infelizmente. O que é uma vida que não se possa sentir e amar? E se abro esse flanco para sentir como lidar com um mundo tão injusto e tão miserável? Com pessoas sofrendo por comida e por carros ao mesmo tempo?

Não é possível resolver esse dilema sem uma ajuda externa, pois como seres humanos só temos acesso a um espectro muito pequeno de nossa trajetória e sem uma outra visão o máximo que conseguimos conceber é uma visão mágica para vida, que alguém desça do céu com uma solução e que me salve dessa bagunça.

Para entender a justiça divina é necessário entender mais profundamente o conceito de karma. Karma significa literalmente ação, mas na tradição védica o nome karma é um apelido para o fruto da ação, em sânscrito karma phala.

Toda ação gera dois tipo de resultados – karmas. Um resultado é tangível, palpável, que a gente percebe outro é intangível, é sutil e que fica lá esperando para ser manifestado quando a ocasião ocorre.

Somos um reservatório de elementos físicos no nosso corpo, de pensamentos, impressões e emoções na nosso corpo sutil e de karmas no nosso corpo causal. Esse corpo causal que carregamos com a gente nós não temos acesso diretamente mas está lá se manifestando em cada ação que fazemos.

Todas as ações que realizamos é uma mistura de desejo, decisão e esforço. E é a combinação desses três elementos em duração e intensidade que são co-responsáveis pelo tipo de resultado que obteremos. Digo co-responsável pois entre o que fazemos e o que obtemos tem sempre uma “lacuna” que pode ser um fator determinante para o fracasso ou sucesso. É nessa lacuna que nossos karmas entram para completar a história.

Quantas vezes com boas intenções e esforço adequado não acabamos recebendo resultados opostos ou até mesmo muito melhores do que o esperado? A resposta do “por que eu” são exatamente os karmas. Deus não está lançando dados, muito menos o mundo é injusto, as disparidades que encontramos de oportunidades, sexo, sociais, doenças, profissionais e etc é o resultado de uma longa cadeia de distribuição de resultados intangíveis das ações, os karmas.

Alguns karmas são dessa vida, outros vem de outras. Um bebê não viveu ainda para merecer nascer aqui ou ali. As nossas famílias são resultados dos nossos karmas. As doenças que passamos e até mesmo acidentes podem ser fruto dessa vida ou de outra e esse é o motivo pelo qual um bom astrólogo é capaz de prever tais acontecimentos na vida das pessoas.

Alguns fatos já vem de outras vidas e outros são montados nessa.

Será isso destino?

Se você considera destino uma decisão divina do que você é; e que você não tem livre-arbítrio, a resposta sem dúvida é não. Somos livres até para acabar com nossas vidas e Deus não possui critérios para definir quem vai para UTI ?! Esse conceito de destino não é verdadeiro.

Se destino só é uma maneira elegante de dizer que tem coisas que você plantou que vai colher nessa vida e não sabe quando, ok passa. Podemos dizer que sim, afinal tem tanta coisa que recebemos em vida que é maior do que qualquer um é capaz fazer ou pagar.

Estamos a todo momento plantando karmas e colhendo karmas, alguns conseguimos relacionar outros parecem que vem como um furacão. Alguns já são determinados antes de nascermos outros cultivamos em vida… Um movimento orgânico de dar e receber que está muito além do espectro dessa vida, por isso não percebemos naturalmente e os Vedas se apresentam como um meio para entendê-los.

Algumas pessoas dizem que isso é uma crença:

“-Quem disse que karma existe?”

Eu pergunto:

“-Quem disse que karma não existe? Dizer que existe ou não existe é igualmente uma crença.”

Contudo a crença de que “karma existe” é suportada pela lógica e pelo bom senso. O universo é todo baseado em causa e efeito, toda ciência, toda psicologia, toda astrologia, toda física se sustenta sobre os alicerces que tudo se transforma e que “nada surge do nada.” É muito natural que nossas ações estejam submetidas a mesma ordem.

Já a crença de que “Karma não existe” e “tudo é um grande circo divino” além de ser uma visão fatalista que não nos permite viver em paz, é um devaneio infantil que vai contra a lógica e nossa experiência de vida aqui na terra.

As leis do karma expostas pelos Vedas é um entendimento mais profundo da diversidade da vida, uma visão que me permite assumir a autoria das minhas ações e me leva conduzir a vida apropriadamente, sendo responsável por cada ato em sua totalidade. Nos permite ver Deus com um ser imparcial e entender a vida não como um momento de sofrimento, mas uma oportunidade de crescimento constante.


“Que Deus nos abençoe para que possamos apreciar

em sua diversidade de formas a igualdade,

na aparente assimetria, a beleza

e em um mundo que cultiva a mentira

a verdade essencial do universo.”

 

 

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