Novos Olhos! (Poema)

Cada mergulho é mais fundo. O tempo, a determinação traz consigo novo folego.

Hoje observando, observando-me, surgiu no pensamento o ritual que é o casamento e a célebre frase “eu juro amor eterno até que a morte nos separe”. Se, e com toda a lógica, o amor por uma pessoa é relativo como pode ser eterno?

E se eterno como “até que a morte nos separe?”

Tal reflexão fez com que prestasse um tanto de atenção ao mundo que me rodeia… um tanto de atenção à sedutora mentira em que vivemos.

Amor eterno é o que sustenta a nossa existência. É o que nos ampara. Ele é sempre, a todo o momento. Nós somos a sua manifestação.

Então, o que não me permite reconhecê-lo?

Por exemplo, frases como estas… inconsistentes, que de alguma forma não vão ao encontro da nossa natureza, gerando conflito, que amarram, condicionam e portanto geradoras de dor e sofrimento.

É ausência de entendimento que nos aprisiona…

É ausência de entendimento de quem sou, qual a minha natureza, que rouba a possibilidade de me experienciar inteiro, pleno, satisfeito, feliz.

É ausência de entendimento que prende os meus braços na hora de os abrir…

É ausência de entendimento que prende as minhas pernas na hora de saltar, dançar…

É ausência de entendimento que prende a minha voz na hora de falar, cantar…

É ausência de entendimento que prende a minha boca na hora de beijar…

É ausência de entendimento que prende o meu corpo na hora de me entregar…

A todo o momento aquele amor vibra! Manifestando-se na dor, na aflição, no desejo de quem o ignora, de quem o teme…

É tanta luz, grandiosidade que em súplica se pedirá coragem…

Coragem para o “receber”…

Coragem para o “dar”…

Diz o escritor Francês Marcel Proust “a verdadeira viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em possuir novos olhos.”

Sónia Andrade.

 

 

Comments

Deixe uma resposta para edmape maria pereira Cancelar resposta

Start typing and press Enter to search