O ano novo é uma invenção humana. É claro que existe uma justificativa material para a novidade do ano do ponto de vista dos ciclos naturais, porque a terra completa uma volta ao redor do sol. Mas a escolha deste ciclo específico para marcar a novidade, o novo começo é, sim, uma decisão humana, pois poderíamos escolher qualquer outro ciclo para marcar o novo. Poderíamos renovar o ano todos os dias, se quiséssemos que um novo ano fosse marcado por um giro completo da terra no seu próprio eixo, o que marca para nós o ciclo do dia de 24 horas; ou, poderíamos dividir mesmo um dia em outros menores ciclos, e então comemorar o ano novo três, quatro ou cinquenta vezes ao dia.

É claro que isso seria uma péssima ideia, pois algo de recorrência tão imediata, de ciclos tão curtos, logo se tornaria uma chata rotina indigna de qualquer comemoração, além de ser materialmente impraticável. Em outras palavras, ninguém aguenta por muito tempo soltar rojões e estourar champanhes toda vez que acorda para escovar os dentes, mesmo os mais animados.

Que o ano novo seja uma invenção humana, contudo, não o priva de importância e significado. Os marcos que nós mesmo criamos, com a ajuda dos ciclo naturais, são importantes porque nos encorajam a tentar de novo, abrindo para nós a possibilidade de mudarmos padrões consolidados de comportamento, de perdoarmos as ofensas recebidas e sermos perdoados. É pela força dos marcos que segunda-feira é o dia mundial do regime, por exemplo; ou que, no primeiro dia do ano, as pistas de corrida dos parques estejam sempre repletas de novos atletas, buscando um estilo de vida mais saudável.

Quanto mais urgente for a necessidade de uma mudança, tanto mais uma pessoa se prenderá a ciclos mais curto de renovação, ganhando força para seguir em frente. Assim, o lema dos Alcoólicos Anônimos é: Só por hoje. Não interessa o ano que vem, nem o mês que vem, mas sim o ciclo de um mero dia. Um dia sóbrio, sem beber, para alguém que vinha bebendo todos os dias há trinta anos é uma grande coisa, e por isso cada novo dia sóbrio é um troféu, um marco que deve ser comemorado.

Assim, a comemoração no “novo” ano está ligada à perspectiva de uma mudança, tão desejada quanto difícil de realizar. Fora disso, não há muito sentido em comemorar a mudança de número do calendário de 15 para 16. Afinal, o dia depois do ano novo é rigorosamente o mesmo, com os mesmos problemas, as mesmas pessoas, as mesmas chatices… O que pode mudar é o coração.

Desejamos a todos vocês, leitores do Vedanta Online, um ano realmente novo, de novas e importantes realizações.

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