O Significado da Palavra Tapas e cinco de suas expressões.

Tapas é uma palavra bastante utilizada no ambiente de Yoga e cujo significado gostaríamos de tratar brevemente aqui. Derivada do radical ‘tap’, do sânscrito, que tem o significado literal de ‘aquecer’, ‘brilhar’, esta palavra ganha no contexto do autoconhecimento o sentido de austeridade purificatória, práticas auto-impostas pelo indivíduo que o levam a superar padrões habituais de gosto e aversão que frequentemente o fazem prisioneiro da sua própria mente.

Para fazer tapas, uma pessoa deve partir da seguinte constatação: ‘Minha mente é frequentemente tomada por padrões automáticos de pensamentos que geram reações emocionais como ansiedade, medo, e raiva, que me fazem sofrer repetida e desnecessariamente. Eu quero tomar posse da minha própria mente, para que ela seja um instrumento que me ajude em meus objetivos, ao invés de ser um instrumento interno inútil de auto-suplício’.

A tradição Védica propõe uma série de disciplinas a serem seguidas por uma pessoa que deseja se apossar da sua própria mente. Vejamos os princípios básicos de algumas delas.

      1. MAUNAM

Maunam é a disciplina de conter o impulso por falar. A fala é um belo órgão de ação disponível para que o ser humano expresse suas impressões subjetivas para outro ser humano, com o intuito – nem sempre alcançado, é fato – de facilitar a convivência e causar uma série de benefícios mútuos. Muitas vezes, no entanto, usa-se a fala de modo leviano, falando-se apenas por falar, sem que o objetivo da fala esteja claro para o falante.

Por exemplo, é possível que muitas vezes alguém fale apenas porque o silêncio é percebido como desconfortável, porque talvez traga à tona uma série de pensamentos e sentimentos que a pessoa não gostaria de ter. Ela, no entanto, nem chega a perceber que fala apenas para não ficar em silêncio consigo mesma, achando que está falando coisas importantíssimas e essenciais, o que realmente não é o caso. Para esta pessoa a disciplina de maunam é indicada, porque a colocará em contato com estes conteúdos que ela evita no ato impulsivo de falar. Estes conteúdos podem ser então melhor trabalhados com a ajuda do terapeuta ou professor.

Em termos práticos, a prática de maunam é bastante simples. Delimita-se um período de tempo – pela manhã, de noite, o dia inteiro, por uma semana, etc. – em que não se falará, de preferência em um ambiente de retiro ou com pessoas que estejam conscientes e respeitem a disciplina, para evitar constrangimentos desnecessários. Também é possível praticar maunam no dia-a-dia, neste caso falando-se apenas o necessário para a convivência.

 2. JAPA

Japa é a repetição contínua de um mantra ou oração. O princípio desta prática é também muito simples. O mantra que se escolhe fazer faz o papel do pensamento deliberado, aquele que foi escolhido conscientemente pela pessoa. Todos os outros pensamentos podem ser então, durante o período em que se faz a japa, reconhecidos como reações, pensamentos automáticos. Deste modo é possível que a pessoa reconheça vários padrões automáticos de pensamento, o que pode de começo assustá-la e causar algum desconforto, o que é bastante natural. À medida em que ela progride na prática, familiarizando-se com estes pensamentos, eles mesmos, na medida em que se tornam conscientes, deixam de perturbá-la, criando um novo espaço na mente que pode então ser usada eficientemente pelo praticante para o progresso no estudo.

Japa é geralmente uma disciplina que se faz apenas mentalmente. Contudo, no começo é possível que a pessoa comece murmurando o mantra e aos poucos o vá tornando puramente mental, na medida do seu conforto.

A tradição Védica propõe uma disciplina chamada purashcaranam, na qual o praticante deve repetir um mantra cem mil vezes o número de suas sílabas. O mantra namah shivaya, por exemplo, tem cinco sílabas e, portanto deve ser repetido quinhentas mil vezes. É dito que por meio desta disciplina o praticante adquire o poder do mantra, o que em parte se deve ao fato de que para conseguir repetir um mantra tantas vezes a pessoa deve ter feito as pazes com a própria mente, que se torna então naturalmente um poderoso e disponível instrumento.

Em seguida, no continuação deste texto, veremos mais três disciplinas úteis ao autoconhecimento.

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