Quais os obstáculos para se aprofundar em vedanta?

O ensinamento é um fluxo que vem vindo de professor para aluno, a pessoa entra nesse rio e deixa acontecer. Para fins aprofundar nossa própria busca seis obstáculos a serem observados pelo estudante:

1 – O desentendimento do objetivo do estudo – No começo é comum criarmos a dissociação entre a tão chamada vida espiritual e material. E temos a impressão de que esse estudo vai nos levar embora do mundo. Isso não é verdade, de fato nos faz viver melhor, sem a necessidade de usar o mundo como muletas. Uma pessoa resolvida espiritualmente está mais disponível para as pessoas.

2 – Incapacidade de largar o envolvimento emocional com grupos espirituais – Antes de chegar a vedanta são raras as pessoas que nunca se envolveram em outros grupos espirituais e após anos de envolvimento é muito difícil se abrir para conhecer algo novo. Tentamos provar para nós mesmos que tudo é a mesma coisa e ficamos fechados. Contudo, para esse conhecimento florescer é necessário reconhecer que estamos atrás de uma verdade que não pertence a nenhum grupo.

3 – A relação professor aluno não estabelecida – O estudo acompanha sempre um professor, e ele faz um papel de autoridade que às vezes não é bem recebido pelo nosso subconsciente, gerando desentendimento, projeções emocionais, ou simplesmente nos transforma em alunos à distância. A convivência com o professor é fundamental para que ele seja um orientador ativo de todo o processo.

4 – Resistência à vida de yoga – Como esse estudo apresenta estruturas lógicas e trabalho intelectual é comum desconsideramos o estilo de vida que lhe acompanha. Porém estamos resolvendo um problema que de fato não existe: já somos a felicidade que buscamos, só precisamos eliminar a ignorância. E quando somos ignorantes querer controlar o processo não é aconselhável. Existe um momento em que precisamos nos jogar nele e vê-lo por dentro, como a tradição prescreve. Como alguém pode aprender a nadar fora da piscina? Não adianta criar nossas próprias teorias.
Não conheci nenhum professor até hoje que não abrace a tradição por inteiro, que não estude sânscrito, não pratique ásanas, não faça seus rituais diários e japa. O próprio Sw Dayananda com mais de 80 anos faz ásanas até hoje.

5 – Ficar preso pelas definições categóricas – Nossa mente está acostumada com o pensamento categórico e com o conhecimento baseado em definições e é natural que essa mesma atitude seja criada em torno de vedanta. Mas se vedanta vira um estudo de engenharia civil onde isso é o telhado, isso é laje, ele não vai funcionar. Vedanta constrói um lar e não uma casa. É transmissão de uma visão, todos esses nomes são apenas parte do método, não existe um compromisso real com nenhuma dessas definições. Levar a mente para ver além das categorias e definições é a chave de todo o processo.

6 – A aceitação da nossa pessoa e história – Quanto mais vedanta se estuda, quanto mais descobrimos a pessoa livre dentro da gente, mais a pessoa problemática se solta e coloca para fora tudo que esteve ali guardado. Por isso todo esse estilo de vida junto com o estudo é importante e no final a aceitação da nossa personalidade e história é a última pedra nesse caminho. Enquanto ela não é de fato aceita e as máscaras postas ao chão ela fica segurando a mente e não permite a firmeza da visão que todo aluno após alguns anos de estudo está buscando.

OM TAT SAT

 

Comments
  • Jonas Masetti
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    Oi Assis, namaste. Os likes e shares estão funcionando, mas o google agora penaliza conteúdo repetido na web e cai a pontuação na busca. Assim quem quiser usar o conteúdo com os créditos basta entrar em contato com a gente que explicamos como deve ser feito. tudo de bom. abraços e harih om

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