Rāmanavamī – Aniversário de Rāma

Não existe nome mais doce – Rāma. Em sânscrito, significa “aquele no qual todos se deleitam – rāmante asmin iti rāmaḥ” É, como todo nome para Deus na tradição Védica, um nome para ātmā, o eu: aquela realidade onde, sempre que a confusão, filha da ignorância, dá uma trégua – seja no sono profundo, na meditação ou em uma apreciação despretensiosa do nascer do sol – todos encontram o repouso de uma perfeita satisfação.

Contudo, para que possamos realmente relaxar de todas as demandas do mundo para encontrarmos o contentamento sem motivo no colo de Rāma, é preciso que nossa ação no mundo esteja de acordo com o dharma, a verdade maior que deve guiar nossa vida pessoal e nossa vida em comunidade.

Essa verdade é apenas uma: Tudo aquilo que, em cada situação particular, nos aproxima do bem maior – o reconhecimento de que eu e Rāma somos um – naturalmente será o correto a fazer, o dharma. Isso é assim porque, se conseguirmos encontrar repouso na abundante e sempiterna graça de simplesmente ser, não precisaremos que o munádo nos dê mais nada, e nos tornaremos Rāmas também para aqueles a nossa volta.

Hoje é comemorado o nascimento do príncipe Rāma, a própria encarnação do dharma. A sua grandiosa história nos conta como ele, para fazer valer uma promessa feita por seu pai, renunciou ao trono, exilou-se na floresta e perdeu sua esposa Sītā, sequestrada pelo demônio Rāvaṇa, para depois resgatá-la matando o terrível demônio em batalha.

Todos somos Rāma no exílio, saudosos de Sītā, a alegria manifesta em uma mente que está em paz. Ela foi sequestrada por Rāvaṇa, um demônio de dez cabeças, simbolizando as inúmeras facetas de um ego que, no seu plano de querer ser especial e “sequestrar” uma felicidade narcisista, acaba encobrindo aquilo mesmo que procurava.

Mesmo sendo deus encarnado, Rāma precisou da ajuda dos vānaras, liderados pelo grande Hanumān, para encontrar a amada. Que espécie de delírio nos faz pensar que sozinhos teremos alguma chance?

O final da história, segundo Vālmīki, o antigo poeta que a relatou, é que o demônio é destruído por Rāma, que volta ao reino com Sītā para ser coroado.

Tathāstu – que assim seja! Que cada um de nós ateste de próprio punho o que o grande poeta falou.

Jāya Rāma!

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