Sat-Cit-Lavanda

Artigo por Margarida Schuwenck

Introdução

Esse artigo foi escrito pela Margarida, aluna da turma Durga. Encorajada por Jonas a lembrar-se e escrever sobre sonhos antigos, ela deixou transparecer nas linhas do seu texto uma verdadeira paixão pela lavanda, além de um conhecimento técnico incrível sobre essa planta.

Mas o que lavanda tem a a ver com Vedanta? – poderia indagar o leitor. Ora, a lavanda não é só lavanda. Para a autora, lavanda é ananda, felicidade, pois desperta nela emoções e memórias que, no seu íntimo, estão ligadas a um grande bem-estar.

Durante o caminho de Vedanta, vamos reconhecendo esses belos prazeres que o mundo nos oferece como vislumbres brilhantes da nossa natureza, que contém em si a ananda de todas as lavandas do mundo. Um dia, com certeza a Margarida poderá dizer com toda a autoridade: Eu sou sat-cit-lavanda. 

Luciano Giorgio.

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                     Lavand_rio_18Nas últimas aulas do curso de vedanta, a exposição do mestre foi direcionada para os sonhos profissionais e, como tarefa de casa, tive que trazer à razão um sonho profundo que, infelizmente, deixei de lado há anos.

Com a obrigação de manifestá-lo, mesmo que só no papel, percebi que esse sonho será o caminho que percorrerei de agora em diante. Ainda não sei como materializá-lo, mas a recomendação da minha alma tem sido: fazer silêncio e sentir…

Fazer silêncio… Ele me permitirá ressentir e reelaborar o sonho: meus passos me trouxeram até aqui e estão exigindo que eu volte o olhar para dentro, para avaliar com maior clareza, investigar, dar atenção à voz interior, ao mais profundo da alma. É onde está a resposta e só eu posso acessá-la

Os mestres espirituais dizem que, quando não estamos realizando nosso plano divino, de algum modo ele está presente em nosso cotidiano, seja através de uma matéria jornalística, de um comentário de um amigo, de uma fotografia, de um alimento… Tudo isso, eu penso, é o nosso subconsciente lembrando-nos que estamos atrasados na lição.

Fazendo a tarefa de casa, proposta por meu mestre, o primeiro sentimento que percebi foi um grande prazer! Mas, no meu íntimo, os sentimentos sempre andam aos pares e, junto com ele (o prazer), senti tristeza. Prazer por que esse sonho mobiliza todos os meus sentidos: visão, audição, paladar, tato e, excepcionalmente, o olfato. O que dizer de algo que mexe tanto com minha alma? Junto com tanto prazer, lá no fundo, havia o sentimento de tristeza, tristeza por ter posto de lado, não ter tentado, não ter priorizado esse sonho.

Quando o mestre me perguntou se eu gostaria de escrever um artigo junto com ele sobre esse tema, minha arrogância fez-me pensar que seria fácil, mas não foi, não! Não está sendo nada fácil!

Da arrogância à constatação de que escrever sobre esse tema seria como aprender a caminhar, ou melhor, reaprender a caminhar: lembrar do primeiro contato, dos sonhos que elaborei, dos locais que encontrei, das minhas andanças e pesquisas, dos motivos que me levaram a deixar de lado tão belo sonho… Afinal, sempre esteve presente em minha vida, despertando sentimentos de conforto, gratidão e completude. Talvez esse tenha sido o motivo de eu ter pensado em transformá-lo numa atividade profissional.

Revisitar tudo isso tem me dado grande prazer e, sobretudo, tem me proporcionado a oportunidade de aprender mais sobre o tema.

O Campo de Lavanda

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“Ervas,  nascidas com o nascimento do tempoMais antigas do que os próprios deusesÓ plantas, com este hino eu canto em seu louvor. Nossas mães e nossos deuses.” (autor desconhecido)

 Há indícios do uso de plantas medicinais nas civilizações mais antigas e essa prática é considerada uma das mais remotas utilizadas pelo homem para cura, prevenção e tratamento de doenças. São registros egípcios, chineses, hindus que, há mais de 2.500 anos a. C., já utilizavam predominantemente plantas medicinais para o tratamento de várias enfermidades que acometem os seres humanos até os dias atuais.

A história da lavanda começa a ser contada no século I d.C. A primeira menção da utilização da lavanda como planta medicinal está registrada no tratado do médico romano Pedanios Dioscurides: óleo  Spica ou Stoechaeus.

O Ouro Azul do Mediterrâneo 

Na época das cruzadas (1096 d.C.) missionários religiosos viajavam ao Oriente em busca de riquezas e acabaram trazendo produtos que não existiam no Ocidente, entre eles, especiarias, jasmim, sândalo, rosa, musk… Nesse movimento nos apoderamos de ingredientes e novas espécies originárias do Oriente Médio, dentre elas, a lavanda.

Lavand_rio_44Inicialmente foi cultivada na região do Mediterrâneo por ter se adaptado rapidamente ao clima da Provence (região sul da França) e, por volta de 1200 d.C. a lavanda teve seu cultivo intensificado – era o período do Renascimento – e a burguesia francesa endinheirada perfumava suas luvas com lavanda. Exatamente nesse período, por causa das qualidades aromáticas da planta, é que o rei Felipe Augusto II reconheceu a profissão de perfumista, oficializou a criação de escolas com mestres e aprendizes na arte da perfumaria, dando início à luxuosa e milionária indústria da perfumaria.

O aroma da lavanda está na memória olfativa da humanidade provavelmente em consequência de ser uma das plantas medicinais mais utilizadas e estudadas desde a antiguidade até os nossos dias . Talvez por esse motivo a fragrância da lavanda tenha a capacidade de evocar, em muitas pessoas, memórias reconfortantes associadas à infância. É provável, ainda, que seu delicado aroma fresco, levemente adocicado, floral, herbal remete-nos ao anseio por uma vida tranquila junto à natureza.

Causa, Efeito, Registro e Lembrança

Sabemos que no nível físico somos um complexo neuro-imune-endócrino-cutâneo, que tudo o que passa no nosso pensamento reflete na nossa pele, na nossa produção hormonal, na nossa imunidade… nós somos, literalmente, o que pensamos.

Lavand_rio_20Sabemos também que o olfato acessa instantaneamente nossas emoções e elas nos levam a estados de consciência sutilizados.

Pelos pressupostos acima, encontramos na lavanda o impulso químico externo que dispara sensações – atuais e ancestrais – de bem estar, curativas do corpo físico e dos corpos sutis, sendo estudada, empregada e prescrita na aromaterapia, na aromacologia, nos florais, na culinária, na cosmética, no paisagismo, nas artes…

Por estes aspectos e por causa de tanta sutileza e beleza eu acredito que a lavanda foi enviada a nós por pequenas deusas para perfumar, colorir e curar nossa existência.

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Deixo algumas das indicações e propriedades – para uso da lavanda – que colhi durante minha pesquisa. Em relação a algumas dessas indicações constatei a eficácia pessoalmente:

Propriedades da Lavanda

Analgésica, antiasmática, antiemética, antileucorréica, antirreumática, antianêmica, anti-inflamatória, anticonvulsiva, aromática, antidepressiva, aromatizante de cabelo, antiespasmódica, antisséptica, antimicrobiana, antiperspirante, carminativa, calmante suave, calmante dos nervos, cicatrizante, desodorante, descongestionante, diurética, digestiva, estimulante mental, excitante do sistema nervoso, estimulante da circulação periférica, indutora do sono, oftálmica, parasiticida capilar, purificante, refrescante, repelente de insetos, relaxante muscular, sudorífica, sedativa, tônica dos nervos, tônica capilar, tônica do estômago e vermífuga.

 Óleo essencial

Cicatrizante, anti-inflamatório, utilizado para aliviar dores e cicatrizar queimaduras, inflamações, psoríase, feridas; problemas respiratórios como gripe, bronquite, tosse, asma, laringite e congestão nasal; propriedades relaxantes que auxiliam no tratamento de problemas do sistema nervoso como dor de cabeça, insônia, depressão e fadiga nervosa e relaxante. O banho aromático ou escalda-pés com óleo essencial de lavanda é refrescante, relaxante e, conforme o caso, quase sempre terapêutico.

Aquece o coração e estabiliza as emoções. Utilizar algumas gotas do óleo de lavanda no travesseiro alivia a insônia e estresse.Lavand_rio_35

É excelente inseticida: ao colocar algumas gotas de óleo de girassol com óleo de lavanda em uma mistura pode-se passar em diferentes partes do corpo para evitar picadas de insetos.

Aromaterapia

Antiestresse, relaxante e combate as rugas.

Propriedades do chá 

chá da lavanda tem como princípios ativos a cumarina, taninos, saponinas, princípio amargo, óleo volátil (linalol): tem efeito analgésico, antisséptico, antiemético, antiespasmódico, anti-inflamatório, antiperspirante, aromático, calmante, carminativo, cicatrizante, desodorante, tônico; baixa a pressão arterial e regula a função cardíaca

Podemos tomar o chá da lavanda que guarda propriedades similares já mencionadas atuando, sobretudo sobre o sistema nervoso com a qualidade relaxante.

Benefícios do chá

Alivia dores de cabeça e enxaquecas; auxilia no tratamento para gota, depressão; alivia náuseas, congestão linfática, tosses, dores reumáticas, problemas digestivos e problemas menstruais (neste caso, regula a menstruação); problemas respiratórios como asma e bronquite têm os seus sintomas aliviados e/ou evitados; problemas circulatórios podem ser aliviados ou combatidos com o chá; possui um efeito calmante, ótimo para quem sofre de tensão nervosa; problemas de pele, como abscessos, acne, dermatites, eczemas, feridas;

limpa, amacia e acalma a pele, picadas de insetos, psoríase, queimaduras; doenças respiratórias como asma, bronquite, tosse, catarro e gripes, asfixia, sinusite e resfriados em geral; problemas gástricos do estômago, baço, enjoo, gases, dispepsia flatulenta, náuseas, perturbações gástricas, fígado; abatimento, atonia dos nervos encéfalo-raquidianos, apoplexia, cefalalgia, desmaios, depressão, enxaqueca, epilepsia, espasmos, insônia, nervosismo, pressão alta (hipertensão), tensão nervosa, síncopes, vertigem; disfunções urinárias, como anúria, amenorreia, leucorreia; ainda há registros nos casos de congestão linfática, gota, dores reumáticas, artrite; contusões, paralisia, tensão muscular; fraqueza cardíaca, neurose cardíaca e problemas circulatórios; recomendado nos casos de pediculose e inapetência.

Cosmética

Sob a forma de creme hidratante a lavanda relaxa e reconforta instantaneamente, acalma os ânimos tanto no domínio da cosmética quanto no da beleza. O óleo é muito útil para o cuidado da pele oleosa e com acne. Ele também é usado em massagem para fortalecer o couro cabeludo.

Gastronomia

É utilizada na arte culinária francesa onde é acrescida em pequenas quantidades a sopas e guisados. É conhecida como Herbes de Provence – compondo uma mistura de ervas aromáticas utilizadas em temperos e implementos de saladas, pães, doces, bolos, sorvetes.

Efeitos emocionais

Provém do latim lavare, significa lavar, limpar. Os antigos romanos queimavam a planta para purificar o quarto dos doentes. Pela leveza que transmite, ajuda a eliminar pensamentos fixos, reestabelecendo o equilíbrio mental. Reforça a criatividade e a facilidade de decisão para direcionar os rumos da vida. Pode ser utilizada tanto nos estados de impaciência, insônia, nervosismo ou estresse, quanto nos estados depressivos, de desânimo e de esgotamento físico e mental. Lavand_rio_49

Em qualquer forma utilizada (chá, óleo, incenso), é recomendada nos seguintes estados mentais: palpitações, tremores, irritabilidade, lipotimia, pânico, histeria. É indicada para pessoas que mudam de um extremo a outro como nos casos maníaco-depressivos, bipolaridade, para delírios, depressão e exaustão mental.

Equilibra e harmoniza as emoções e os ambientes. Pode ser usado em paciente epilético ou com pressão baixa, causando um estado de sonolência acentuado. Por este motivo deve ser evitada nos primeiros três meses de gravidez.

No campo energético

É restauradora da energia e, quando usada corretamente, harmoniza os chacras, elimina a energia negativa dos ambientes e pessoas e atua como regeneradora de partes do corpo físico, como também, do supra físico.

O banho de lavanda é refrescante, relaxante e terapêutico. Aquece o coração, alivia a fadiga física (como banho ou escalda pés), estabiliza emoções e é excelente para quem tem dificuldades de dormir.
O banho aromático é indicado com as flores de lavanda para equilibrar o campo energético, assim como o uso do óleo essencial no réchaud, no escalda pés, adicionado no óleo de massagem ou no creme corporal.

Há a possibilidade de ser usada na forma de spray ambientais e corporais.

 Terapia floral

Pelo Sistema da Califórnia a essência floral Lavender (espécie Lavandula officinalis), atua no padrão de desequilíbrio, de nervosismo e na hiperestimulação espiritual. Além disso, combate a insônia, dores de cabeça, distúrbios de visão, tensão nas costas, isto é, atua nos músculos perto da região do pescoço.

Pelo Sistema de Minas Gerais a essência floral (espécie Lavandula vera) é indicada para imaturidade psíquica e biológica, sentimento de inferioridade e falta de autoconfiança.

Pelo Sistema Saint Germain a essência floral (espécie Lavandula vera) é indicada especialmente para os bebês no início da amamentação quando sentem muita cólica intestinal, e também para as crianças, jovens e adultos. Esta essência floral harmoniza o campo mental fortalecendo principalmente a força interior. Faz profunda limpeza, traz a suavidade e a fluidez através da transmutação arrebatando e harmonizando todos os chacras e, desta forma, elevando a energia a níveis bem sutis. Esta essência é importante também para aqueles que não lidam bem com bem certas situações da própria vida.

Parto

O óleo de lavanda é útil durante o parto, ajudando a diminuir a severidade das contrações, ajuda a acalmar a mãe e, como água aromática, pode ser usado como compressa refrescante na testa. Pode ser usado como óleo de massagem para a parte inferior das costas (o que também diminui as dores) e em compressa quente sobre o abdômen.

 Contraindicação

Não é indicado aos pacientes que estejam sendo tratados com medicação que contenha ferro e/ou iodo.

A lavanda na história: Curiosidades

  • Sem ela Joseph Niepce não teria conseguido tirar a primeira fotografia, pois sua invenção – o heliograma – era um prato de prata revestido com uma camada de betume natural previamente diluído em óleo de lavanda.
  • Para produzir 1 quilo de óleo essencial de lavanda são necessários 100 quilos de flores frescas.
  • Ao que tudo indica, aLavandula stoechasfoi levada para o sul da França pelos gregos por volta de 500 a.C.
  • Vêm da Alemanha que durante a Idade Média, as maiores referências sobre a lavanda, inclusive o apelido de “planta da Virgem Maria”, por suas supostas habilidades para debelar os desejos sexuais: a planta é considerada anafrodisíaca.Lavand_rio_30
  • A partir de 1500, com a redescoberta da destilação por arraste a vapor, o uso da lavanda se disseminou, tendo sido usada inclusive por Nostradamus enquanto tratava as vítimas da peste conhecida comole charbon.
  • Do século XVI para o XVII, a lavanda selvagem já era regularmente colhida na Alta Provença, mas também já era plantada nas proximidades de Viena e, um pouco mais tarde, na Inglaterra (Surrey e Norfolk).
  • Sabe-se que Henrique VIII possuía canteiros de lavanda nos jardins de seu castelo e imagina-se que a futura rainha Elizabeth I brincasse entre elas quando criança.
  • A amante de Molière, Ninon de Lenclos, nascida em 1520, disse ter tido uma vida excitante e corpo esguio até a idade de 85 anos graças a uma mistura em cujos ingredientes se encontrava a lavanda.
  • O uso histórico mais famoso da lavanda, em combinação com o alecrim e a bergamota, está na formulação daÁgua de Colônia 4711. Fabricada como remédio desde 1508, atingiu seu apogeu no início do século XVIII, quando a higiene pessoal foi finalmente relacionada à manutenção da saúde.
  • Na perfumaria, o ano de 1882 constituiu um marco no uso da lavanda, com o lançamento deFougère Royale, de Houbigant, onde o aroma da planta era um dos constituintes principais.
  • Segundo Martin Henglein, a lavanda corresponde à carta de TarotOs amantes, simbolizando o despertar da integridade perdida e a abolição de dicotomias – significa reconstituir o mais profundo do seu ser, o ser original, reintegrado no seu todo -corpo/alma, sem as dúvidas e sem os medos que nos paralisam. Essa imagem capta perfeitamente os efeitos da lavanda no plano mental.
Showing 6 comments
  • Margarida S
    Responder

    Atualmente minha busca pelo conhecimento de Vedanta já não é mais insana, mas sim um verdadeiro diamante, cujo estudo revela a sanidade que sempre possui! Poucos passos dados, dentro dessa poderosa tradição, me deixaram frente a frente com a missão… ser feliz!

    Gratidão aos meus mestres, gratidão aos mestres dos meus mestres!

  • Ana Lucia S
    Responder

    Lindo e inspirador artigo! Também caminho pelos campos de lavanda e demais óleos essenciais e ler seu artigo foi uma bela experiência! Parabéns e obrigada!

  • João Pedro G
    Responder

    Gratidão !!! Hari OM

  • Regina A
    Responder

    Oi Maragarida,
    Gostei muito do seu artigo,parabéns !
    Também gosto muito de aromaterapia: lavanda e alfazema são os meus preferidos.

  • rui_portela@uol.com.br R
    Responder

    Margarida Lavanda!
    Adorei seu artigo lembrou-me que tenho um grande amigo estudioso dos óleos essenciais e me fala muito bem sobre o óleo essencial de lavanda, vou passar a utilizar e fazer alguns testes com ele durante a prática de Yoga e meditação. OM!

  • silvia v
    Responder

    Ol’a Margarida!!!

    Gostei muito do seu artigo!
    Obrigada por compartilhar conosco!
    Namastë

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