Será a felicidade plena uma crença?

O uso da palavra “plena ou absoluta” para qualificar a palavra felicidade é uma redundância e isso algumas vezes traz um entendimento errado sobre a busca espiritual. Parece que estamos buscando por algum tipo de experiência que não existe nesse mundo, a “felicidade plena”, algum tipo de estado diferente de consciência.

Quando se usam esses termos, o objetivo é fazer uma diferenciação entre a felicidade, que surge através do contato com objetos, e a felicidade, que se obtém pelo conhecimento do eu. Como os objetos estão em constante movimento e mudança, a felicidade advinda dos mesmos é “temporária” enquanto que a felicidade vinda do conhecimento do “eu” é imutável, já que o “eu” é livre do tempo e do espaço. Este conhecimento é resultado do estudo de vedanta. Dessa maneira a busca espiritual não tem como objetivo mais uma experiência no mundo e sim a verdade por de trás de todas as experiências.

Contudo, considerar que “existe a felicidade plena” ou que “a mesma não exista” estão ambas as opções enquadradas no que chamamos de crença. E de fato, em termos filosóficos, se uma pessoa não sabe a verdade sobre um assunto, ela é livre para escolher qual das duas crenças quer adotar para si.

Porém, mesmo que se decida acreditar que: “não existe felicidade plena”, não é possível para ninguém agir sem fundamentalmente ter esse objetivo.

Todos nós queremos ser felizes para sempre e incondicionalmente… Não é essa a nossa experiência?!?

Por isso crença por crença, é melhor acreditar que a felicidade existe, se não no mínimo estaríamos sendo incoerentes com nossa forma de agir.

Quando o mestre expõe que todos agem em busca da felicidade plena, ele não está defendendo uma crença, ele está apenas provocando o reconhecimento daquilo que já buscamos, por trás de todas as ações.

E é natural que enquanto o conhecimento do “eu” não se estabelecer, aquilo que é proposto, fica no estado de crença, até que seja entendido como verdadeiro pelo próprio aluno, como em qualquer outro conhecimento.

Desdobrar a verdade sobre o “eu” é o papel dos vedas e mais precisamente de vedanta – a porção final dos vedas.

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