Śrī Dayānandapañcakam

Este stotram constituído de cinco estrofes, chamado pañcakam, em sânscrito, foi escrito por Śrī Paramārthānanda Swāmiji em honra de seu professor, Śrī Dayānanda Swāmiji. Chama-se Śrī Dayānanda-pañcakam.

Swāmi Paramārthānandaji, ao escolher os nomes que, na composição, se referem a Swāmi Dayānandaji, foi muito sensível e cuidadoso, pois reconhecemos claramente em cada um deles uma virtude muito peculiar do professor dos professores. Por exemplo, Paramārthānandaji o chama de Kalānāṃ Pracāram, aquele que promove as artes, e Svayaṃ Granthakāram, aquele que é por si mesmo um escritor/compositor. Também o chama de Sadā Sañcarantam, aquele que está sempre viajando e Maṭhām-sthāpayantam, aquele que estabelece instituições de ensino das escrituras. Outros epítetos, como Sadā Smera-vaktram, aquele que tem sempre um sorriso no rosto, e Kṛpā-pūrṇa-netram, aquele que tem os olhos cheios de compaixão, trazem forçosamente à memória de quem o conheceu a expressão sempre bondosa, contente e magnânima do Swāmiji.

Todos as cinco estrofes acabam com a frase, “Dayānandarūpaṃ madācāryamīḍe”, que significa: “Eu saúdo o meu professor, ācārya, na forma de Dayānanda”.

Ācārya, a palavra em sânscrito para professor, é tradicionalmente definida do seguinte modo:

आचिनोति च शास्त्राणि आचारे स्तापयत्यपि ।
स्वयमाचरते यस्मात् तमाचार्यं प्रचक्षते ॥

ācinoti ca śāstrāṇi ācāre stāpayatyapi ।
svayamācarate yasmāt tamācāryaṃ pracakśate ॥

Porque ele tem o conhecimento acumulado (ācinoti) das escrituras, porque estabelece (os discípulos) na conduta correta (ācāra) e também porque ele mesmo segue essa conduta (svayam ācarate), ele é chamado de ācārya.

Swāmi Dayānanda era um ācārya por todos esses motivos. A real vastidão do seu conhecimento das escrituras, contudo, só podia ser apreciada de fato por aqueles que sabiam tanto quanto ele. Portanto, a grandeza do seu conhecimento era por nós meramente inferida pela clareza e desenvoltura com que abordava os diferentes tópicos do estudo de Vedānta.

Nos seus alunos, Swāmiji incutia a conduta correta não por qualquer tipo de ameaça nem pela insistência à obediência e disciplina, mas pelo ensino constante do valor de se viver uma vida de acordo com o dharma. O seu próprio exemplo de auto-doação incansável, ademais, inspirava e inspira seus alunos a uma conduta naturalmente virtuosa no mundo. Ele dizia: “Uma pessoa é madura quando deixa de ser predominantemente um consumidor do mundo para se tornar predominantemente um contribuidor para o mundo.” Que ele fosse o exemplo maior das suas próprias palavras é o que fazia dele o grande ācārya que foi.

Assim como Swāmiji era o modelo acabado de um ācārya, ele era também, como seu próprio nome dava testemunho, Dayānanda. Dayā é uma palavra muito bela, que significa compaixão: a capacidade de sair de si para sentir na pele o que o outro sente. Existem mestres que não se dão ao trabalho de ensinar Vedānta, porque sabem muito bem que, realmente, nenhuma pessoa tem problema algum. Pois o problema não é apenas ignorância, ilusão? O que você faria se uma pessoa, achando que foi picada por uma cobra, corresse até você pedindo sua ajuda, com a cobra morta nas mãos, desesperada, e você olhasse para ela e visse que ela estava carregando uma corda? Você certamente sorriria e falaria que não há problema algum, que se trata apenas de uma corda inofensiva; mas, e se a pessoa continuasse insistindo? Você a levaria ao hospital para tomar soro antiofídico?

Qualquer ser humano tem compaixão suficiente para levar em conta o sofrimento de uma pessoa e ajudá-la quando a causa para aquele sofrimento é real. Mas, quando a causa é falsa, levar em consideração o sofrimento da pessoa que diz sofrer e ajudá-la como se o seu sofrimento fosse real é algo que só alguém que é um oceano de compaixão pode fazer. E Swāmiji Dayānanda era precisamente uma dessas pessoas.

O problema que nos aflige, do qual estamos todos reclamando, de que somos sofredores, mortais, destinados à infelicidade é falso. Nós somos a plenitude que é causa da criação, Brahman! E, no entanto, vamos até o Swāmiji e nos jogamos ao seus pés, e ele nos ensina Tattvabodha, Gītā, Upaniṣad, mantra-japa, atitude de karma-yoga, e uma série de outras coisas! É como pegar o sujeito que pensa que foi picado pela cobra e levá-lo até o hospital, explicar a situação para o médico e pedir para ele aplicar uma injeção de água com açucar no paciente como se fosse soro antiofídico, para que ele se sinta curado! Apenas um Dayānanda seria capaz disso.

Portanto, tendo em mente a grandeza do nosso professor e professor dos nossos professores, repitamos sempre junto com esse belo stotram:Dayānandarūpaṃ madācāryamīḍe – Eu saúdo o meu professor, que é realmente Dayānanda!”

 

श्री दयानन्दपञ्चकम्
Śrī Dayānandapañcakam

सदा स्मेरवक्त्रं कृपापूर्णनेत्रं स्थिरं दीनमित्रं जनप्रीतिपात्रं ।
सुविज्ञातशास्त्रं कषायाक्तवस्त्रं दयानन्दरूपं मदाचर्यमीडे ॥ १ ॥

sadā smeravaktraṃ kṛpāpūrṇanetraṃ sthiraṃ dīnamitraṃ janaprītipātraṃ ।
suvijñātaśāstraṃ kaṣāyāktavastraṃ dayānandarūpaṃ madācaryamīḍe ॥ 1 ॥

sadā smera-vaktram – aquele que tem sempre um sorriso no rosto; kṛpā-pūrṇa-netram – que tem os olhos cheios de compaixão; sthiraṃ dīna-mitram – que é um fiel amigo dos desamparados; jana-prīti-pātram – que é amado por todas as pessoas; suvijñāta-śāstram – que conhece muito bem os Vedas; kaṣāya-akta-vastram – que tem as vestes de cor laranja; dayānanda-rūpam madācaryamīḍe – eu saúdo o meu professor Dayānanda!

Eu saúdo o meu professor, Dayānanda, que tem sempre um sorriso no rosto, cujos olhos são cheios de compaixão, que é um fiel amigo dos desamparados, que é amado por todas as pessoas, que conhece muito bem os Vedas e cujas vestes são de cor laranja.


परब्रह्मनिष्ठं स्वतो धर्मनिष्ठं अहिंसैकनिष्ठं स्वशिष्यैः सुजुष्टं ।
यतीनां वरिष्ठं गुरूणांगरिष्ठं दयानन्दरूपं मदाचर्यमीडे ॥ २ ॥

parabrahmaniṣṭhaṃ svato dharmaniṣṭhaṃ ahiṃsaikaniṣṭhaṃ svaśiṣyaiḥ sujuṣṭaṃ ।
yatīnāṃ variṣṭhaṃ gurūṇāṃgariṣṭhaṃ dayānandarūpaṃ madācaryamīḍe ॥ 2 ॥

para-brahma-niṣṭham – que está estabelecido no conhecimento do infinito; svato dharma-niṣṭham – que está espontaneamente estabelecido no dharma; ahiṃsa-eka-niṣṭham – que tem como único compromisso a não-violência; sva-śiṣyaiḥ-sujuṣṭam – que é imensamente adorado pelos seus alunos; yatīnāṃ vaiṣṭham – que é o mais exaltado entre os ascetas; gurūṇāṃ-gariṣṭham – o maior dos professores; dayānanda-rūpam madācaryamīḍe – eu saúdo o meu professor Dayānanda!

Eu saúdo o meu professor, Dayānanda, que está estabelecido no conhecimento do infinito, que está espontaneamente estabelecido no dharma, que é imensamente adorado pelo alunos, que é o mais exaltado entre os ascetas, que é o maior dos professores e cujo compromisso único é a não-violência.


सुशास्त्रे चरन्तं सदा सञ्चरन्तं जनान् बोधयन्तं भवादुद्धरन्तम् ।
मठांस्थापयन्तं गुरून् पूजयन्तं दयानन्दरूपं मदाचर्यमीडे ॥ ३ ॥
suśāstre carantaṃ sadā sañcarantaṃ janān bodhayantaṃ bhavāduddharantam ।
maṭhāṃsthāpayantaṃ gurūn pūjayantaṃ dayānandarūpaṃ madācaryamīḍe ॥ 3 ॥

suśāstre carantam – aquele que está sempre lidando com as escrituras; sadā sañcarantam – que está sempre viajando; janān bodhayantam – que ensina as multidões; bhavad-uddharantam – que resgata do saṃsāra; maṭhām-sthāpayantam – que estabelece instituições para o ensino das escrituras; gurūn-pūjayantaṃ – que presta homenagens a seus professores; dayānanda-rūpam madācaryamīḍe – eu saúdo o meu professor Dayānanda!

Eu saúdo o meu professor, Dayānanda, que está sempre lidando com as escrituras, que está sempre viajando, que ensina as multidões, que resgata do saṃsāra, que estabelece instituições para o ensino das escrituras e presta homenagens a seus professores.


कलानां प्रचारं दधानं विनम्रं स्वयं ग्रन्थकारं सतां मानितारम् ।
नमत्तापहारं स्वयं निर्विकारं दयानन्दरूपं मदाचर्यमीडे ॥ ४ ॥

kalānāṃ pracāraṃ dadhānaṃ vinamraṃ svayaṃ granthakāraṃ satāṃ mānitāram ।
namattāpahāraṃ svayaṃ nirvikāraṃ dayānandarūpaṃ madācaryamīḍe ॥ 4 ॥

kalānāṃ pracāram – aquele que promove as artes; dadhānaṃ vinamram – que permanece modesto; svayaṃ granthakāram – que é por si mesmo um escritor/compositor; satāṃ mānitāram – que honra as grandes pessoas; namat-tāpa-hāram – que remove o sofrimento dos devotos; svayaṃ nirvikāram – que por si mesmo permanece imperturbado; dayānanda-rūpam madācaryamīḍe – eu saúdo o meu professor Dayānanda!

Eu saúdo o meu professor, Dayānanda, que promove todas as artes, que permanece modesto, que é por si mesmo um escritor/compositor, que honra as grandes pessoas, que remove o sofrimento dos devotos e que, em si mesmo, permanece imperturbado.


सदा शान्तिमूर्तिं सदा क्शान्तिमूर्तिं सदा दान्तिमूर्तिं सदा सत्यमूर्तिम् ।
प्रमाणप्रवृत्तिं दिशन्तं सुकीर्तीं दयानन्दरूपं मदाचर्यमीडे ॥ ५ ॥
sadā śāntimūrtiṃ sadā kśāntimūrtiṃ sadā dāntimūrtiṃ sadā satyamūrtim ।
pramāṇapravṛttiṃ diśantaṃ sukīrtīṃ dayānandarūpaṃ madācaryamīḍe ॥ 5 ॥

sadā śānti-mūrtim – aquele que sempre está em paz; sadā kśāntimūrtim – que é a encarnação da acomodação; sadā dāntimūrtim – que é a encarnação do autodomínio; sadā satya-mūrtim – que é a encarnação da verdade; pramāṇa-pravṛttiṃ diśantam – que mostra o funcionamento do meio de conhecimento (Vedānta); sukīrtim – que é famoso; dayānanda-rūpam madācaryamīḍe – eu saúdo o meu professor Dayānanda!

Eu saúdo o meu professor, Dayānanda, que está sempre em paz, que é a encarnação da acomodação, do autodomínio e da verdade, que mostra o funcionamento de Vedānta como um meio de conhecimento e que é famoso.


इदम्पञ्चकं यः पठेच्छुद्धचित्तः सदा मोक्षमार्गे नितान्तं प्रवृत्तः ।
प्रसादात् स शास्तुर्भवेज्ज्ञानयुक्तः स जीवन्मृतो वा भवेन्नित्यमुक्तः ॥ ६ ॥

idampañcakaṃ yaḥ paṭhecchuddhacittaḥ sadā mokṣamārge nitāntaṃ pravṛttaḥ ।
prasādāt sa śāsturbhavejjñānayuktaḥ sa jīvanmṛto vā bhavennityamuktaḥ ॥ 6 ॥

idam-pañcakaṃ; este conjunto de cinco versos; yaḥ – aquele que; paṭhet – recitar; śuddha-cittaḥ – que tem a mente pura; sadā mokṣa-mārge nitāntaṃ pravṛttaḥ – que está sempre completamente engajado na busca da liberação; saḥ – ele; prasādāt – pela benção; śāstuḥ – do professor; jñāna-yuktaḥ bhavet – se tornará um com o conhecimento; saḥ – ele; jīvan-mṛtaḥ vā – vivendo ou morto; bhavet – será; nitya-muktaḥ – sempre livre.

Aquele que, tendo a mente pura e engajada na busca pela liberação, recitar este conjunto de cinco versos se tornará, pela benção do professor, um com o conhecimento. Vivendo ou morto, ele será sempre livre.

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  • ludyoga@gmail.com l
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    Muito bonito… a gente sente a firmeza da intenção na voz do swami cantando…e quando lê o canto, as frases ,as fotos, o som,tudo faz sentido…

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