Tipos de Yoga?

Existem várias maneiras diferentes de se trabalhar com o corpo, a respiração e a mente de modo que esse trabalho possa ser chamado de yoga. Isso, contudo, não significa que existem vários tipos de yoga e, sim, que existem vários tipos de indivíduos, com necessidades, habilidades e dificuldades individuais, únicas.

Uma prática de yoga é idealmente montada para um indivíduo, levando em conta tudo o que ele precisa para dar um passo à frente em algum sentido: físico (p. ex. ganhando mais alongamento), energético (p. ex. tornando-se mais disposto durante o dia), mental (p. ex. tornando-se mais focado e objetivo), emocional (p. ex. ficando mais ciente dos seus padrões emocionais) e espiritual (p. ex. tornando-se mais aberto para a contemplação de algo maior, que transcende a individualidade e a vida cotidiana).

Quem determina em que direção o passo à frente será dado é o aluno, principalmente no início do contato com o professor, e esse direção será reavaliada constantemente durante o processo de yoga, mudando de direção quantas vezes for necessária, de acordo com as mudanças naturais do indivíduo e do nível de relacionamento com o professor.

Essa abordagem não é um tipo de yoga, mas é o próprio espírito da prática. Se, no contato com o professor, é notado, por exemplo, que a prática de meditação está levando um aluno naturalmente muito introvertido para uma ainda maior introversão e afastamento dos relacionamentos, tornando-se quase uma fuga da realidade, cabe ao professor oferecer esse insight ao aluno e mudar a direção da prática, propondo uma corrida no parque ou um trabalho voluntário, ao invés da meditação. Não existem regras definidas e nem apego a nenhuma técnica.

O primeiro aforismo do Yogasutra: “Atha yoga-anushasanam – Agora, o ensinamento de yoga” é o que salvaguarda esse princípio fundamental do yoga, pois indica o processo de yoga como um relacionamento vivo entre professor e aluno, que tem como objetivo o amadurecimento, em diferentes níveis, do aluno.

“Atha”, “agora”, indica que o aluno está pronto para comprometer-se com algo que não é meramente o conforto da satisfação dos seus gostos e aversões, mas tem a ver com o ganho de uma integridade pessoal, o que exigirá algum desconforto. Também indica que o aluno confia no seu professor e poderá acolher as observações e instruções dele não como críticas ou punições, mas como ferramentas de crescimento.

“Anushasanam”, “Ensinamento tradicional”, indica que o professor tem – pela própria experiência de estar passando ou ter passado pelo mesmo processo com o seu professor – a integridade pessoal necessária para passar para o aluno aquilo que ele de fato precisa, mesmo que seja desconfortável, não estando interessado em agrada-lo , tê-lo como um seguidor, ou qualquer outra coisa do tipo. Por isso mesmo ele tem a liberdade de mudar a direção da prática quando julgar necessário.

“Atha yoga anushasanam – Agora, o ensinamento de yoga”, é um sutra mais importante do que parece à primeira vista.

Se enrijecermos demais nossa abordagem de yoga com um método de séries de posturas, pranayamas ou meditações, como se essas técnicas por si mesmas fossem garantir a evolução do indivíduo em direção a uma maior integridade e maturidade pessoais, então o primeiro sutra, o próprio espírito da prática, foi corrompido. O que torna possível o desenvolvimento pessoal do aluno é essencialmente o relacionamento franco com um professor tradicional, e não somente as técnicas que serão utilizadas durante o processo desse relacionamento.

Quando acreditamos em tipos de yoga – Ashtanga-yoga, Iyengar-yoga, etc. ­– estamos acreditando que uma técnica em si produzirá no praticante a integridade proposta pelo yoga. Isso, infelizmente ou não, não é verdade.

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