Vida de Ashram no Globo Reporter com Jonas Masetti

Tendo em vista a reportagem sobre a “Vida de ashram no Globo Reporter com Jonas Masetti” resolvemos escrever um pouco sobre experiência de como foi participar do programa e também elucidar algumas dúvidas dos internautas sobre o assunto. Para quem ainda não viu o vídeo ainda está em tempo, pode ver através do Satsanga Online ou pelo próprio site do Globo Reporter.

A equipe da globo esteve em Coimbatore durante alguns dias. Apesar de tê-los encontrado na cidade algumas vezes, eles só puderam ir no ashram um dia quando todas as gravações foram feitas. Como foi bem notado pelos alunos o dia de gravação foi um Maha Ganesha Caturthi, dia especial de comemoração de Ganesha, o Senhor dos obstáculos. Eles chegaram bem na hora que estávamos no templo, se vocês notarem tem algumas cenas no templo com o audio baixo no fundo onde estão cantando o Ganapati Atharva Shirsha.

Foram gravadas cenas caminhando pelo ashram, algumas no refeitório, a entrevista no templo que aparece bastante no Globo Reporter e também no quarto que foi especialmente limpo e arrumado para ocasião.

Sobre a gravação consideramos que a escolha das cenas e a descrição foi muito bem feita e ficamos satisfeitos e gratos a equipe por isso. Podemos imaginar o quanto é difícil mostrar algo atraente para o público em geral tentando manter a integridade sobre algo que se conheceu em tão pouco tempo. Gostaria de  aproveitar para agradecer à equipe da Globo o diretor Noberto Oda, a reporter Cláudia Bomtempo, a produtora Gionava Vitola, o cinegrafista Rogério Rocha e o técnico  Luís Finoti, que além de bons profissionais são também ótimas pessoas.

Como alguns perguntaram, é bom esclarecer dois pontos. O primeiro é que nesse momento já temos internet no ashram graças a um centro de pesquisa que trouxe a tecnologia para reserva florestal mas isso é algo novo. E o segundo é que a “dormida é no chão” para alguns, mas existem camas e colchões simples, que podemos fazer uso. Agora, levando em consideração a qualidade do colchão e o tamanho do quarto a “dormida no chão” é ainda a mais conveniente.

O curso começou em 2010 e a expectativa de término é o segundo semestre de 2013 porém a data ainda não foi anunciada pelo mestre.

A seguir segue um conjunto de perguntas que já foram respondidas em diferentes ocasiões e podem ser úteis para quem quiser saber um pouco mais sobre a “Vida de Ashram e Globo Reporter com Jonas Masetti”.

Como a comunidade do yoga e as pessoas no Brasil se beneficiam de reportagens como essas?

Todo conhecimento é precedido por um conhecimento genérico ou superficial sobre o mesmo assunto. Quando queremos aprender sobre medicina, por exemplo, sabemos que devemos procurar um médico e para aprofundar nossos estudos fazer uma faculdade. Esse é um conhecimento básico sobre o que é medicina, como adquirir expertise no tema e a preparação necessária  para tal. Contudo, no mundo do yoga por se tratar de um tema oriental, não temos um entendimento estabelecido, sabemos que vem da Índia e que está ligado a saúde talvez. Assim uma reportagem como essa, apesar de não ser um meio direto para se ensinar sobre espiritualidade, mostra para as pessoas um pouco do que é a vida daqueles que estudam yoga evedanta. Foram apontados pontos importantes em todo o processo como a presença de um templo, o mestre que ensina em sânscrito e não através de nenhum tipo de meditação, que é aberto para homens e mulheres de todas as idades do mundo todo, também que exige certo desapego para poder focar nos estudos e ainda que o propósito de todo o estudo é um entendimento maior sobre si que está totalmente vinculado a nossa felicidade.

O que se estuda no ashram é yoga ou vedanta?

De acordo com a tradição védica as duas palavras verdadeiramente significam a mesma coisa, porém de ângulos diferentes. A palavra vedanta aponta para a parte dos Vedas que é estudada com o objetivo do autoconhecimento – anta quer dizer fim e vedanta quer dizer o final dos vedas. Já a palavra yoga é o termo utilizado por esses textos para se referir ao processo de preparação do indivíduo para essa jornada, que inclui não só as posturas físicas chamadas de ásanas mas todo uma gama de disciplinas incluindo meditações, orações e atividades terapêuticas. Assim o estudo de vedanta ou de yoga se referem a mesma jornada de autoconhecimento, as vezes dizemos que vedanta é o conhecimento e o yoga a preparação, mas os dois termos são intercambiáveis na maioria dos casos. Cabe realçar que a prática de ásanas embora não seja o foco, faz parte do nosso dia dia e percorre todo o curso, mas como a maioria são praticantes antigos a prática é realizada individualmente ou em pequenos grupos.

No que consiste o curso de três anos do Swami Dayananda?

Ele consiste em uma exposição sistemática dos alunos aos ensinamentos dos principais textos de vedanta, em conjunto com o estudo de sânscrito, prática de mantras, ásanas, meditação e puja no templo do ashram. Durante esse período os alunos, não só se expõem a essa gama de conhecimentos, mas dividem sua vida com os swamis, o que é uma grande oportunidade. Observando como eles vivem, como pensam e como agem, as pessoas se inspiram para as mudanças necessárias para a jornada de quem tem espiritualidade como objetivo.

O curso, nesse formato que acontece agora, foi concebido pelo Swami Chinmayananda mestre do Swami Dayananda, o professor principal do curso. O curso é dado por ele e pelo Swami Saksatkrtanandaum que assume as aulas na sua ausência.

O objetivo do curso, portanto, é criar um momento na vida da pessoa onde ela possa se voltar totalmente para si, e com auxílio do professor e dos Vedas adquirir oautoconhecimento; bem como dominar as ferramentas que a fazem independente para estudar e ensinar posteriormente.

Qual a motivação para alguém que deseja ingressar em um curso como esse?

A motivação sem dúvida é a grandeza desse conhecimento. Quando estudamos e vemos a realidade dos nossos problemas e conflitos se dissiparem como bolhas de sabão, enxergamos a nós mesmos como livres, apesar de todos os problemas do nosso corpo e mente. Assim temos uma motivação natural por seguir nesse caminho. Para quem tem a disponibilidade e a oportunidade de investir 3 anos da sua vida, esse curso é hoje o que se tem de mais especial em termos de exposição ao conhecimento dos Vedas.

E para quem não tem essa disponibilidade?

O ensinamento não precisa necessariamente do formato de um curso de três anos e de fato não é a melhor opção para todas as pessoas. Com certeza um curso com início meio e fim expondo as ferramentas auxiliares dessa tradição dão uma estabilidade para quem se aventura a ensinar, mas tudo que é aprendido lá pode ser diluído e aprendido progressivamente. Isso é o que os alunos antigos do swami fazem, ensinando em diversas cidades ao redor do mundo.

Qual a diferença entre o ashram do Swami e os outros?

O ashram do swami foi montado objetivamente para o estudo de vedanta. Todo o dia é organizado com esse propósito: as meditações, os rituais, os mantras e lógico o principal, as aulas de vedanta que são o centro de todo o ensinamento. Diferente de outros ashrams onde o foco é o satsanga, reunião com músicas ou socialização como processo terapêuticos em diversos níveis, no ashram do swami Dayananda o foco é escutar os ensinamentos do Vedas, contemplar no seu significado e meditar. Quando temos satsanga é basicamente para tirar dúvidas das aulas e de sânscrito.

A rotina varia para cada pessoa e o momento que está sendo vivido por ela, mas se formos dar uma modelo podemos dizer seria assim: acordamos 4:45am e vamos dormir as 9:45pm, fazemos em média 5h de aula por dia e ainda temos meditação, templo e nossas tarefas diárias.

Suas expectativas sobre esse curso se tornaram realidade?

Essa pergunta não pode ser respondida diretamente, pois durante o processo de estudo a pessoa que começa o curso cheia de expectativas e também fantasias, é substituída por outra pessoa que entende que não está no controle do processo de aprendizado e aceita o que vem para si, objetiva e presente. Assim é como se deixássemos de lado as expectativas, tudo passasse ser uma grande surpresa. Nem é preciso dizer que esse processo não é fácil.

O que o Jonas fazia no Brasil antes de ir para a Índia?

“Eu me formei em engenharia mecânica, trabalhei na Morning Star Consulting, uma empresa de consultoria no qual eu fui um dos sócios fundadores. Porém em 2009 mesmo sem ter o curso em vista a minha vida já estava voltada para esse conhecimento, eu morava em um apartamento sozinho perto do Vidya Mandir, onde eu estudava e compartilhava esse conhecimento com alguns amigos. Quando o curso começou, eu só entreguei meu apartamento e fiz minhas malas.”

Para aqueles que têm vontade de conhecer e visitar o ashram, qual a dica?

O ashram não é um lugar mágico porque nele tudo é perfeito e as pessoas estão focadas e equilibradas, onde apenas verdadeiros buscadores estão presentes e convivendo em harmonia. Talvez se você passar apenas algumas semanas o ashrampossa parecer um lugar assim, mas a verdade é que é um lugar de pessoas normais, com problemas comuns e tanto as pessoas e o lugar estão distantes de serem perfeitos. E de verdade, essa é a beleza e a mágica do ashram, ele nos ajuda a entender a nossa realidade básica enquanto indivíduos e dentro daquela micro-sociedade.

Além disso quando a mente se sente em um ambiente seguro, o subconsciente “vomita” toda dor e traumas que estavam guardados. Em geral é uma experiência bem intensa para todo mundo. Então a dica é deixar as idéias e os julgamentos pré-concebidos e fazer o melhor que puder, o resto deixa na mão do ashram, do professor e de Ishvara.

Depois de 03 anos de estudo e vida no Ashram, qual o maior aprendizado?

O aprendizado do curso é a natureza do sujeito, o “eu” livre completo, que não precisa mais mudar o mundo para ser feliz. Para falar de uma maneira poética, podemos dizer como na reportagem que não precisamos dar um passo para fora da gente para encontrar a “bendita” felicidade, pois ela é e sempre foi nossa natureza.

Quais são os planos ao voltar para o Brasil?

“Não possuo ainda planos fixos, estou aberto para o que surgir na minha volta. Quando penso na minha vida de volta gostaria de compartilhar esse conhecimento com as pessoas e tudo mais que tiver aprendido. Sinto-me afortunado de ter essa oportunidade de estudo não só te ter chegado aqui, mas de todo o background que foi construído pela prof. Gloria Arieira e por todos os outros amigos nessa tradição, com quem estudei, sem eles o curso teria sido outro. Assim como fui ajudado, gostaria de retribuir de volta a essa tradição participando da maneira que possa ser mais útil e necessário.”

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  • Isaias Q. Masetti

    Gostei muito das explicações, responderam muitas das minhas próprias dúvidas sobre a reportagem. Parabéns, Jonas, por sua coragem e determinação.

  • Sandro Shankara

    Linda matéria e grandes saudades suas mestre Jonas

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